O chamado entrou marcado como urgente, numa segunda de manhã:
“Desde que assumi a gerência, temos problemas graves. O que salvo na pasta da equipe ninguém vê, e o que eles salvam eu não vejo. Há várias pastas vazias. Verifiquem se a gestão anterior apagou o conteúdo — se apagaram, recuperem do backup, por favor.”
A leitura do cliente era razoável: pastas vazias + transição de gestão = alguém deletou. E a saída parecia óbvia: restaurar o backup. Foi exatamente o que decidimos não fazer primeiro — e ainda bem.
Por que não corremos para o backup
Restaurar backup por cima de uma pasta de rede em uso é uma operação que pode sobrescrever o que já está lá. Se o conteúdo não foi apagado de verdade, você troca um problema imaginário por um real: arquivos novos da equipe perdidos sob a versão antiga do backup.
Regra da casa: backup é a última carta, não a primeira. Antes, três perguntas baratas de responder por acesso remoto:
- Os arquivos sumiram para todo mundo, ou só para ela?
- A pasta está realmente vazia no servidor, ou só na máquina dela?
- Ela enxerga a pasta, mas não o conteúdo — ou não enxerga nem a pasta?
O que os sintomas estavam dizendo
A pista estava na própria frase do chamado: “as pastas aparecem, mas não consigo acessar os documentos”. Isso não é comportamento de arquivo deletado — arquivo deletado some, pasta e tudo. Pasta que aparece vazia para uma pessoa e cheia para outra é a assinatura clássica de permissão, não de exclusão.
No servidor, o conteúdo estava intacto. Ninguém tinha apagado nada. O que havia mudado foi a pessoa: a nova gerente entrou num cargo cujo acesso é controlado por grupo do Active Directory, e a conta dela ainda não estava no grupo certo. O Windows então mostrava a estrutura de pastas (que ela tinha permissão de listar) mas barrava o conteúdo (que ela não tinha permissão de ler).
A correção
Não foi restaurar backup. Foi colocar a conta dela no grupo de acesso correto do AD e forçar a atualização do token de login. Conteúdo “de volta” em minutos — porque nunca tinha ido a lugar nenhum.
A lição que vale para qualquer empresa
Quando alguém troca de cargo, o acesso não migra junto automaticamente. O sintoma “a pasta sumiu” quase nunca é exclusão — na grande maioria das vezes é permissão que ficou para trás numa transição de pessoal. Diagnosticar antes de agir evitou uma restauração desnecessária que poderia ter causado o estrago que estávamos tentando evitar.
Tem uma pasta que “sumiu” ou um acesso que parou depois de uma mudança de equipe? Antes de entrar em pânico, fale com a gente. WhatsApp (11) 3895-3371 · abrir chamado